segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Chego a tempo?

Hás-de pensar duas vezes antes de me perguntares o que se passou para ter vindo agora....estou na última da hora...dedico a escritura ao guardanapo que substitui a folha de caderno rasgada....Agosto à meia-noite...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Yesterday

Hoje



Hoje, o céu está escarlatado.
Chovem pingos.
Estou no Porto...
É dia 08.Junho.2010,
São 21:50H.
Acabei de ler poesia de um amigo.
Tenho na secretária um livro com edição bilíngue de Harold Pinter, com o título “WAR”, também ele de poemas.
Vejo outro livro com o título “A Religiosa” de Diderot.
Mochila em cima da secretária,
“Os Maias” de Eça de Queirós mirando-me,
Umas antigas capas de desenho.
Outros livros...
Um pacote de bolachas para lanchar amanhã porque o dinheiro está escasso.
Há que poupar!
Algumas latas para grafitti e marcador para as tags marginais das ruas.
Cansaço físico!
Comichão e ardor no olho esquerdo.
Amor questionado...
Cansaço mental!
Escrita?
Não sei.
Talvez boa, talvez má.
Resumindo... esta!
Boa noite!

Ismael Calliano

sábado, 12 de junho de 2010

E Amanhã?

E Amanhã?

Amanhã vou deixar de ser preto!
Amanhã já terei um trabalho sob a forma de emprego que, por sua vez, estará sob a forma de salário.
Amanhã vou deixar de fugir do passado e vou correr para o futuro.
Já não terei que levar com as culpas em cima quando o farmacêutico da esquina da minha rua se queixar de lhe terem roubado as drogas.
Não serei mais chamado de... Drogado!
Ninguém me negará pão, vinho ou água.
Vou deixar de me sentir revoltado...
Vou-me revoltar contra a revolução!
Serei pacífico...
Não irei à casa das putas... Elas virão à puta da minha casa.
Não serei discriminado nem julgado
Terei o direito de ser quem sou e aquilo que me apetecer ser.
Não serei mais olhado de lado...
Não terei que pagar cinquenta cêntimos para ir cagar numa cagadeira de uma estação de serviço...
A qualquer lugar que vá terei uma suíte presidencial à minha mercê, com uma casa de banho de luxo inimaginável, com um papel higiénico composto por notas de quinhentos euros, verdadeiros!
Amanhã...
Vou destruir a minha angústia e permanecer quieto... até me calar.
Vou tirar o meu brinco ridículo da orelha esquerda para que tu deixes de me criticar.
Amanhã vou chegar tarde a casa!
Amanhã... Não estarei cá.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Pois é... anda aí!

4M0R 4M0R...

São tantas as vezes que me apetece olhar para a lua, aquela mãe de poetas e inspiradora de palavras, e dizer-lhe que a amo. A minha loucura é tanta que não se manifesta apenas quando estou só. A minha escrita é estranha porque é como eu. Eu sou estranho. Adoro observar a tinta da caneta na sua expansão criativa. Aquela tinta espessa e límpida de diferentes cores. É só observar o engenho dos nossos próprios dedos desenhando letras ó calhas, ou com o nosso próprio estilo de escrita. Eu tenho o meu próprio estilo. Não sou poeta, mas sou poeta. Contradição pela caneta. Para escrever não é preciso uma esferográfica especial. Eu preciso de uma esferográfica especial. Preciso de uma esferográfica especial determinada a escrever coisas pensadas, não para simplesmente escrever. Para escrever coisas especiais preciso D´aquela caneta. A caneta pela qual sinto empatia. Mesmo que outra pessoa a julgue comum, eu tenho de sentir algo por ela...caso contrário não me relaciono com ela, é que nem pensar. Não quero ser traído assim...sem mais nem menos. Isto digo o mesmo do papel no qual escrevo. Não será um qualquer vagabundo que ande por aí à toa a fugir de um caixote de lixo...náaah! Quer dizer, se bem que, se eu tiver aquela ânsia, sabem, aquela fome, de escrita e não tiver outra opção, claro que lhe desenharei algumas letrinhas. Também não sou daquele género de pessoa com o lema: “Em tempo de guerra, qualquer buraco é a minha trincheira”, até porque, para mim, “Nem tudo o que vem à rede é peixe”. A lua que o diga. Ela não aceita qualquer um, por isso, ainda nem me declarei. Sou tímido. Que fazer? Ela ainda não sabe...olhei para ela face a face, umas poucas de vezes. Sou daquele tipo que escreve ao sol, sobre a lua. Exposto ao sol. Acerca da lua. Atenção! Não sou daquele tipo que se não consegue encontrar no seu lugar. Não! Nada disso! É que...vá-lá, não gozem...tenho vergonha de encará-la nos olhos. É que...só de olhar a sua face...ela é tão linda que, se me descaio aos olhos dela, vai perceber tudo. Entretanto, ficaria eu...ali...coladão da vida, como laço que não desata. Óh, vá-lá...preciso de um amigo que me ajude. Estou aberto a propostas. Não! Não vou mandar cartas como fazia quando era puto. Bem pensado! Vou mandar-lhe cartas...sim...como fazia quando era puto! Pensando bem...Não! Já lhe não vou mandar. Não é que não goste de cartas...nada disso, até porque para mim, é um dos meios mais românticos de declaração de amores que causam calafrios ao corpo e à mente. Quem será que vem primeiro? O corpo? A mente? Estou confuso...sinto.me muitas vezes assim.
-
Olha. Atenta!
- Hã? Quem é que fala comigo...nesse...nesse tom grave?
-
Olá!
- Olá?!!! Ui!!!
- Não te questiones mais. Dir-te-ei em breve quem sou.
- Ui! Está a bater mal o sócio...
- Meu amigo. O amor é uma perigosa mental.
- Oh... Eu sei quem és!
- Sabes?
- Julgas que sou um ignorante ou quê?
-
Nem por isso...Diz lá quem sou eu?
- És lá aquele gajo... fogo! Não se me está a vir o teu nome.
- Sabes quem sou sabes! Não mintas tá?
- Epáh...não estou a mentir!
- Pois pois...
- Eureka!!! És o Platão.
- Ui!!! Como é que adivinhaste?
- Oh...isso agora...sei. Sabes...essas frases, quem as não souber, não percebe o amor.
- De facto já tinha pensado nelas há long time ago... before your god was born.
- Olhem-me este...a falar inglês!
- Qual é o mal?
- É esse.
- Qual?
- Estás em Portugal...dah.
- Dah?!!!
- Sim dah!
- O que é isso?
- É...é...não sei. Os jovens portugueses dizem.
- Ah... ok. Lembrei-me agora...tenho de me ir embora.
- Hã?
- Ah...já me esquecia! Ouvi dizer que andas por aí a morrer p´los cantos!
- A morrer?
- De amores.
- Ah...sim...de amores.
- Então está dada a minha dica. A que te queria dar. Agora retiro-me...
- Não! Espera!! Aguarda!!! Detém-te...
- Ó que diabos... isto agora é assim? Aparecem do nada e pensam que dão lições de moral a alguém? Melhor pensando, o tipo parece ter razão. Platão. Grande filósofo esse, que com pensamentos de titânio destrói ignorâncias de aço fero. Estou confuso. O amor...é realmente uma perigosa doença mental. Sinto-me doente...e em perigo. Preciso rapidamente de um ombro amigo.
Um dia hei-de juntar todas as minhas forças para poder dizer: “Lua... amo-te!”
Ismael Calliano

domingo, 4 de abril de 2010

The Game

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Ouvi dizer que a vida é como um jogo. Nos subúrbios do mundo, escondido por entre a podridão do luxo e a riqueza da degradação, podemos encontrar os dados que guiam a vida, com as suas camadas côncavas e negras, e as suas camadas superficiais revestidas de veludo. Nem sempre me acredito no que oiço, porque nem tudo o que oiço é verídico. Mas nas estradas deste jogo podemos considerar que tudo é verosímil. Quando ando nas ruas com o objectivo de chegar a algum sítio, levo “sempre” o meu fantástico aparelho tecnológico fonográfico, o meu MP3, no bolso e headphones nos ouvidos, para poderem orientar o meu ritmo. Eu digo que andar na rua é um verdadeiro jogo. A música começa quando saímos do respectivo início de caminhada. Na rua, as pessoas passam por ti, cruzam os olhares, gostam ou desgostam da tua pessoa, sentem prazer em olhar-te, observar-te e mirar-te e ainda fantasiam contigo. Tudo isso em meros 3, 4 ou 5 segundos. Essas pessoas podem pensar para si próprias- “Era mesmo um borracho como este que eu queria”, ou “Uii, sai pra lá, cheiras mal!”, ou “Tás a olhar pra quem oblá?” e ainda “Se me desses o teu phone number filha” ou ainda muitos outros pensamentos. As pessoas chegam até a amar-te durante 3 segundos. Passado esse tempo que, em câmara lenta, obtemos no jogo da vida, as pessoas já avaliam outras tais. Nós também fazemos o que as outras pessoas fazem. Temos também as nossas fantasias. O “feeling” do jogo é maior nas ruas comerciais das cidades. Vou invocar a rua de Stª. Catarina. Ao passar nessa rua sombria e ofuscada pelo brilho da minha música, pelo brilho dos mendigos e pedintes a cantar e a exercer as suas artes exterminadas pela sociedade da vida, tenho um sentimento único. Sinto-me o Homem-Mecânico. Aquelas pessoas todas com pressa, aqueles vendedores de castanhas à saída do subterrâneo que acolhe o metro, as próprias escadas rolantes, como um sobe-e-desce. E a rua 31 de Janeiro? Uou. Adoro subir aquela descida de carros e subida de eléctricos. Adoro descer aquela subida de pessoas “mistas” nos passeios, acabadas de sair da estação de S. Bento, indo para a Batalha e Sá da Bandeira ou mesmo dos Aliados. E vice-versa. As pessoas querem chegar a horas ao trabalho. As pessoas têm objectivos. A rotina enche as ruas da cidade desde manhã até à noite. Como é bela a imagem suja dessas ruas. As pessoas comunicam que não querem comunicar. Sete vezes vejo isto. Elas são mecânicas. Não ligam a nada, porque ligam a tudo. Se, Eu, passo pelo meio delas e lhes toco, elas reagem. Um processo mecânico que não consigo entender. Este jogo tem regras, sem dúvida, mas garanto que as não possuo todas, no meu intelecto. De repente vejo-me como “o diferente” no meio do movimento caótico. Mas não posso ver-me desse modo, porque esse ver é comum a todos. Serei diferente se pensar que sou igual a todos, porque todos pensam que são diferentes, apesar de realmente o serem. Todos diferentes, todos iguais.

Ismael Calliano

terça-feira, 2 de março de 2010

No Bolina

Este sou eu.
Não tenho nada para dizer por enquanto...
Mas o mérito desta imagem fantástica está num bom amigo.
Hélio, obrigado.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Universo

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Era uma vez um país chamado Eu. Na altura não eram nomes estranhos mas interessantes estes, e os nomes nunca se repetiam de país para país, nem que o indivíduo falecesse. A maioria dos países fazia-se de “amiguinho” dos outros, mas os seus verdadeiros pensamentos eram egoístas e só rezavam para que os outros falecessem. No Ano da Década Milenar Número Secular (ADMNS), houve uma grande explosão num país chamado Mundo. Este era grande, enorme e gigante mas desfez-se todo devido a essa misteriosa explosão. Era estranho e sinistro aquele acontecimento até porque o Mundo não tinha inimigos, era imóvel e concentrado e era sobretudo dotado de solidão eterna e fantasmagórica. Consta-se por aí que o Mundo sentia várias vezes dores de barriga. Uns dizem que era de gases aprisionados, outros que seria a chegada da “Dona Morte” à sua presença, isto é, chegara a sua vez...não é importante. O que interessa é que o Mundo explodiu. Por conseguinte os seus estilhaços espalharam-se por todo o espaço universal e mundial de aberturas fechadas com larvas corrosivas, que originaram novos cidadãos universais do espaço aflito que estava arrasca devido à concentração do Mundo, o qual já não aguentava o peso de viver solitário e blá, blá, blá. No aniversário do (ADMNS) Ano da Década Milenar Número Secular, uma incógnita penetrou e infiltrou-se no universo. Esta incógnita era um mini-país igualmente prejudicial como as bactérias. Dizia-se até que tamanha coisa se denominava de “Vírus Maléfico”. O Vírus Maléfico funcionou como que um accionador químico de vapores atmosféricos que se juntou a um vapor incógnito dos países existentes. Lembra-se que estes países surgiram, ou são os estilhaços do Mundo. Quando a incógnita e o vapor incógnito se encontraram deu-se uma enorme explosão. (Alerta-se para que nunca ninguém esqueça que este é o aniversário da única e primeira explosão que aconteceu no universo espacial da fantasia cósmica e blá, blá, blá...). Não houve chamas, mas apenas fumo. A fusão dos vapores originou mais um país, mas claro, deixando os restantes intactos. Todos vinham espreitar o acontecimento estranho e único universalmente, que eles alguma vez tinham presenciado e que os próprios denominaram de calamidade. Todos viram aquele acontecimento. Todos viram Eu nascer. Eu era um país alegre e mau humorado, era um país de contrastes, de contradições ou poderíamos mesmo chamar de extremos. O negativo e o positivo. Nenhum dos países restantes percebeu aquele fenómeno e apenas comentavam maliciosamente e hipocritamente com grande raiva. Eu era bonito e por mais estranho que pareça eu era feio. Eu era egoísta e simpático e por vezes apático, tinha um olhar sinistro mas belo feiticeiro, corria como uma chita e com a elegância de um Tigre, mas descansava como uma Preguiça despreocupada com o tempo. Eu era lixado porque matava uns, e salvava outros. Eu era a revolução naquele universo de países estilhaçados. Eu aparecera com o máximo dos objectivos, igualar a ausência do pai de todos os outros países. Substituir o Mundo. Quando Eu não existia, todos falavam mal nas costas uns dos outros. Devem ter caído no esquecimento de que outrora eram um só. Mas Eu aparecera. Eu aparecera para mostrar ao Mundo que era capaz de fazer melhor do que ele. Eu não diferia os pretos dos brancos ou negros e pulas, ou amarelos e vermelhos, castanhos, feios ou bonitos. Eu era a justiça mais justa daquele universo. Eu era a lei. Eu mandava em todos os acontecimentos que rodavam à volta de todos os países. Infelizmente o Mundo não era assim, e Eu, tivera de aparecer para remediar e criar aquilo que jamais existira, ou destruir aquilo que mais à sociedade afligira. Anos passaram, Eu governara. A justiça dominou e todos se sentiram em paz, tudo isto porque apenas para substituir o Mundo...Eu nascera.

Ismael Caliano

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O MEU poema favorito

Cântico Negro

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.

José Régio

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

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Decidi subtrair-te do meu pensamento. Sim, é verdade. Decidi subtrair-te do meu pensamento. No princípio nunca pensei que isto pudesse acontecer. Não calculava, digo eu. Era como se pensássemos que algum dia a luz das trevas pudesse iluminar o sol. Sempre percebi que era impossível. Mas agora... Parece que estou confuso. O silêncio exagerado gera muito barulho. Sim, é isso. O que houve entre nós foi... Como hei-de dizer? Assim um tanto... avinagrado. Não. Não é essa. Não é essa a palavra. Whatever. O que eu quero dizer é que me deste demasiado amor. Eu aceitei. Mas não gostei. Não gostei. Mas afinal o que é que é o amor? É algo que existe entre Deus e o Diabo? O Diabo e o Homem? Ou entre Deus e Homem? Sinceramente. Acho que penso que não sei pensar no que o amor é verdadeiramente. Não consigo. Não consigo decifrar o amor. Sei. Acho que sei um exemplo. Sobre o amor. Quando os homens estão reunidos nos... Ai que se me escapa. Qual é mesmo a palavra? Ah... Parlamento. Isso mesmo, parlamento. Quando os homens estão reunidos nos parlamentos. Aí sim. Aí há amor. Sem dúvida. Bom, talvez não. Quando o grito do ódio fala mais alto, o silêncio aumenta. Porquê? O ódio não tem voto na matéria. Apenas a loucura foi condenada a acompanhar o amor, até ao fim dos seus infinitos dias, por lhe ter dado um soco bastante furioso no olho. Só pode ter sido influência do ódio. O ódio tenta incutir na cabeça da loucura maldades para incutir na cabeça do amor. Mas o amor é único. Mesmo que ele quisesse fazer mal a alguém não podia, porque ele é amor. Pois. Agora pensando bem, já não posso subtrair ninguém do meu pensamento . Não? Posso sim. A minha loucura disse-me que o ódio manda exigir mais do teu amor. Mas já vi que é uma perda de tempo. Uma perda de tempo que fica para a história, que fica para a memória de quem percebe barbaridades escritas por mim. Eu sou o escritor. Mas não sou um escritor. Vou subtrair uma galáxia, vou subtrair um planeta, vou subtrair um continente e um país e uma capital e um concelho. No fim, só eu. Sem conselhos de ninguém, sem capitalistas, sem os relatórios das somas das minhas subtracções divididas pelas pessoas que amo que é equivalente a zero. Zero és tu. Tu não és nada para mim, portanto és zero. E zero és, percebes? Porque razão o poeta escreve amor quando sabe que está sujeito a ser criticado subtilmente, ou intitulado de , maricas? O poeta não tem medo de escrever isso porque tem a loucura. O ódio é escrito pelo poeta para as pessoas deixarem de ser escravas e passarem a ser assassinos suicidas. O poeta tem poder. O poeta tem poder nas mãos, nos dedos e nas articulações dos dedos. Tem poder ao passar esse mesmo poder para a caneta, para a lapiseira e para o lápis que irão riscar o papel. O papel não tem culpa. Mas é utilizado para nos passar mensagens. Ou apenas para se dizer que se usa papel. O poeta tem poder para passar poder ao poder. Poder é posse. Truques mágicos e fantásticos não existem. Poder é posse. E eu possuo-te. Possuo-te mas vou subtrair-te. Já não gostas de mim pois não? Pois agora começo a gostar mais de ti. Começo a acreditar que podemos ser felizes. Sem divisões, somas e até mesmo subtracções. Vamos enriquecer o amor. Manter a loucura condenada no seu posto, e subtrair dela o ódio tentador e penetrante. Eu mais tu, dá eu e tu, que é sinónimo de nós. Nós menos tu, dou eu. Dou eu, mas eu preciso de ti. Preciso de ti, do teu corpo e do teu físico. Preciso que me estimules, preciso de dormir. Gosto de dormir contigo sabias? Gosto do acto. Depois vem a chuva. A cama ensopa. É uma chatice quando a cama ensopa. Gosto quando a chuva vem mais tarde. Aí sim. Adormeço profundamente. Alguns homens só sabem o que é o amor até a previsão dar chuva. Esses são loucos. Eu sou louco. Mas sou diferente. Sou louco por ti. Por isso e pelo teu amor por mim. Tenho de subtrair-te. Tenho de subtrair-te do meu pensamento. Sim, tenho de subtrair-te do meu pensamento. Vou promover-te a meu intelecto. Passas a dominar o meu pensamento.


Escrito em 2008,

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sem Justificações

Decidi criar este Blog, para aqui expor grande parte da minha vida artística. O meu interesse é que as pessoas vejam as minhas criações profissionais ou não profissionais, e que através de mim possam conhecer outras dimensões da vida. Porei neste Blog criado a 15-01-10, textos escritos por mim, textos que me fazem pensar ( sejam eles mesmos, meus ou de outrem), com a delicada atenção de assinar com o nome do autor. Com isto espero que se note uma das minhas formas de auto-afirmação, ou seja, independentemente da minha escrita que não obedece a muitas regras, porque eu (o autor), assim o exijo, não nego críticas tanto a nível construtivo como destrutivo. Esta será a minha maneira de mostrar a peça de teatro que a vida é, e como muitas personagens conseguem representar tão bem os seus papéis (níveis sociais)... Se eu pudesse ficar a escrever mais um pouco para esta minha primeira postagem, com todo gosto o faria... mas ( sem justificações).