quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

(C) EGO

(C) EGO

Esse ego que transportas
É o centro de ti próprio.
A mim dói-me o meu.
Desvanece na poesia.
Quando a leio, o desvaneço.

Esse ego que transportas
Está embebido em ópio.
A mim dói-me o meu.
Carece de maresia.
Sei bem que a mereço.

Egos rígidos como discos externos
Vagueiam frígidos, lá mesmo, internos.
Vagueiam fugidios, lá mesmo, internos,
Egos rígidos como discos externos.

Como, suavemente, o odor
Desodorizado dos egos alheios.
Creio constantemente no amor
Ridicularizado, de certos enleios.

Digo adeus aos pormenores desse ego,
Desse teu ego, sériamente (c) ego.
Digo a Deus que te acuda
Ainda que negues necessidade de ajuda.

Prevalecem os meus palpites, mesmo que me fites.
Eu sou Deus. Só não quero é que me imites.

[Ai! Dói-me o ego.]

Esse ego que só a mim pertence.
Este ego que a mim não pertence.

(18JAN2013)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Eu Tenho...

Eu tenho!
Eu tenho medo das pessoas.
Tenho medo de abrir a boca e não saber o que dizer.

Eu tenho!
Tenho medo de mim próprio.
Eu tenho medo da minha acção e da minha reacção.

Tenho medo de ficar sem reacção.
Tenho medo de reagir.

Eu quero não ter que saber tudo.
Eu quero!

Não quero mais saber que 5+2=7.
Não quero!

Não quero ser maior de idade!

Eu tenho!
Tenho medo que me julguem.
Que me toquem...
Que me desafinem...
Que me desatinem.

Tenho medo de saber escrever e,
Ao mesmo tempo,
Tenho medo de deixar de escrever.

Eu quero!
Eu quero viver.
Acredita...
Eu quero fazer acontecer.

Quero deixar de saber que nada sei.
Quero voar sem precisar que vejam minhas asas.

Quero viver...
Quero morrer, um dia...
Terá que ser!

Antes de morrer...
Quero viajar.
Quero conhecer, descobrir...
Quero cobrir.
Quero cobrar.
Quero dar... e receber.

Mas eu tenho...

Medo de confiar.
Medo da minha existência.
Medo de ser artista.
Medo de refutar.
De sair da zona de conforto!
De entrar na zona de confronto...
E arriscar.

De riscar o papel pálido de frio.
De me apaixonar...
Apenas por cio.

Quero fazer amor.
Quero ficar por cima dela,
E de manhã, cedo, servir-lhe café.

E no amor quero ver cor.
Cor de café.
Como aquele vapor ascendente,
Quero ter fé.

Quero, desta vez, que a chuva caia...
Oblíqua.
Que te molhe os seios em silhueta.

Quero que as minhas palavras sejam mais que mil imagens.

Quero não ter vergonha de gritar no meio da rua,
Para testar a minha inexistência.

Quero gritar.

Eu vou gritar!

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Tenho medo do que possam pensar de mim...
Mas, já vou tarde.
Porque existo!

Resta-me corrigir esta tensão.
Esta tesão.
Ser artesão.

Quero uma biblioteca.
Uma vídeo-teca e uma audio-teca .

Quero deixar de querer.
De querer ter e de querer ser.
Quero desistir de existir.
Repito...
Quero ruir!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CHOVE


25.SET.2012

Lá fora chove.
Cá dentro – sala de ensaios – cozinha-se.
Trabalho de actor.
Sala gélida, condições mínimas.
Luz do dia escassa, mas aproveitada, para poupar
Nos gastos da electricidade.

Os actores, no calor da cena, mentem,
Interpretando personagens realistas.
Naturalismo ao rubro.
Alguém saberá – lá fora – que cá dentro
Estamos a cozinhar coisas novas?
Hão-de saber em breve.
Havemos de ter sala cheia?
Preenchida, e não vazia?

Tenho frio.
Preciso do calor da cena.
Cá dentro chovem pingos, vindos do piso superior.

O Outono veio e trouxe consigo
Um Inverno que ainda está para vir.
Virá zangado o Inverno que vem.
Sente-se no prenúncio outonal.

Anseio, desesperadamente, por ver a coloração
Das folhas num dia de sol.
As folhas vão cair, brevemente.
Há folhas no chão já.

Tenho fome.
Diz o meu estômago, queixando-se,
Numa onomatopeia estranha.
O meu estômago, vazio, tem as cores
Das folhas do Outono.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AMOR LUNÁTICO


04.OCT.2012
04:30H

Eu já sabia, mas só agora percebi
Que não gosto de todas as fases da lua.
O meu amor é a lua-cheia.
As outras são quase-ela, mas não a são.

A vida é feita de desencontros
Antes e depois de encontros.
Percebo que o que agora é belo
E coincidente, daqui a pouco ou amanhã
Não o é.

Simplesmente, os afagos vêm e vão.

Este equilíbrio que tanto se anseia…
É, afinal, um desequilíbrio.

Anseio um Apocalipse de amor…
Que brote aqui e ali
Como se fora uma rosa a desabrochar.

É tão indefinida a minha definição de vida.
Anseio, no entanto, essa indefinição,
De forma inconsciente e omnisciente .

É este quase-eu que escrevo sempre,
E que escreve quase – como se fosse – eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

QUANDO TE OLHO




Quando te olho
Caem-me lágrimas dos olhos,
Lágrimas com vertigem decadente.

Caem-me pela desilusão que de mim tens,
Caem-me porque basta-me um olhar.

É ser-se humano se se chora,
Sou um ser humano que chora.

Dou primazia aos versos,
Sem sentido,
Explicam-te o choro inaudível.

Quando te olho
Observo-te.

Mas acima de tudo
Vejo-te.

Não sou sábio.

Sei coisas.

Meras Palavras,
Mas palavras.

[12JULHO2012]

quinta-feira, 5 de julho de 2012

THE BUTTERFLY EFFECT


THE BUTTERFLY EFFECT


Não há maneira de voltar “lá atrás”.
Mudar o que foi feito é complicado.
Podemos é, agora, evitar fazer algo
Que não se repercuta no futuro…
É muito arriscado ousar voltar para
Mudar o que quer que seja. É tarde
Demais. Mas nunca será tarde para se
Viver o presente, torcendo pelo futuro.

[ZÉNON]

Se eu voltasse atrás, a nossa história
Seria, sem dúvida, prioritária nessa
Mudança. Podia ter sido eu a morrer…
Mas não fui… por alguma razão.
Podias ter fugido sem mim… Mas não…
Quiseste proteger-me.
Podíamos ter levado porrada…
Ao menos estarias vivo… comigo.
Por outro lado, eu não estaria em Portugal,
Provavelmente. Seríamos dois miúdos
Com estudos? Ou gaiatos das ruas, traquinas,
Ladrões e drogados? De qualquer modo…
Que importa? A única pessoa que me
Poderia compreender serias tu!
Mas morreste-me… Amo-te e…
Até um dia!

[15JUNHO2012]

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VIDA INCONGRUENTE


4 R4ZA0 D3 V1V3R

  
Começam a cair pingos. Um deles vem com demasiada euforia pensando que é livre. Mas quando cá em baixo chega, esborracha-se todo. Se se sobe na vida, também se desce. Se se não sabe descer, cai-se. Muitos caem. Garrafas de água dentro dos autocolismos. Que estupidez. Histórias de adultos contadas a criancinhas indefesas. Prostituição. Raptos. Tráficos de órgãos. Mas onde é que nós estamos? O sino do mosteiro voltou a tocar. Mais uma morte. Mais uma vida no céu. Ou até, quem sabe, no inferno. Alguém trincou uma maçã. Ouviste? Quem ouviu? Não ouviste? Eu ouvi. A traição da humanidade surge. O Homem é enganado pela mulher. A mulher é seduzida pelo animal que se contorce. Sete. Sete orifícios no rosto humano. Na melodia da vida, sete notas musicais. Sete cores, sete dias da semana, sete virtudes e sete pecados capitais. A lei da evolução. Avareza, inveja, luxúria, ira, gula, vaidade e preguiça. Simbologia simbólica de ti , de mim e de nós. Eu, tu e nós somos dois ou três? Que estupidez. É a teoria do fim do mundo. O artista sobe ao palco e transmite às pessoas a catarse. O silêncio é comunicação. Interpretação do silêncio. O silêncio também se interpreta. Tempestades em copos de água. Copos sem água e ração para comer. África. África, Ásia, Europa, América, Antárctida e Oceânia. Mundo. Mundo, gente, pessoas, indivíduos, adultos, crianças e anciãos. Como é que um planeta cheio de água tem sede? Ordem. Ordem e progresso precisa-se. Nostradamus. Esperança. País do verde. Do verde , do vermelho, do amarelo e das quinas. Colonialismo, escravatura e exploração. Conquista. Passado. Presente de ontem, de hoje e de amanhã. Comunicação. Dificuldade de comunicação. Detorpação no feedback. Argumento e contra-argumento. Desentendimento. Morte. Por vezes, tiro pela colatra. Teatro. Actores precisam-se. Alguém grita na infinidade dos guetos-Chamem os políticos-. República das bananas. Crise mundial. Eutanásia. Aborto. Mais uma vida na Terra. Mais uma morte no ar. A cegonha morreu no regresso. Ginástica mental. Conhecimento histórico, artístico e cultural. A arte. Música, pintura, escultura, desenho, retrato, fotografia, olhar, ver, entender, cuspir, sobreviver. Sobrevivência. Boatos. Trabalho de equipa. Grupos de amigos. Bebidas. Drogas. O tom com que as coisas nos são ditas. Mais uma vez a interpretação. Cai a música no ouvido do ouvinte. Banalização da palavra banal, banalidade e banalização. Bananas para os macacos e amendoins para os chipanzés. E os elefantes? Basta-lhes a memória. Robots, máquinas, computadores e cartões. Fusão do Homem com máquinas. Mais força. Mais rapidez, mais armas e tecnologias, tudo inserido no cérebro através de um cartão de memória. Lavagens cerebrais e seres programados para matar nas guerras. Seres? Crianças. A humanidade mata-se. Suicídio ou homicídio? Ambos. Arrefecimento das veias. Sangue coagulado. Cinema, acção, drama, comédia. Vida. Jogo. Dados com seis e oito faces lançados à sua sorte. Isso tudo só pra vermos morte. Crenças e descrenças. O mundo é assim. Máquinas descartáveis. Panoramas complexos. Abstracto. A minha escrita. Consegues perceber? Eu quero que tu percebas, para não dizeres que eu não percebo nada de nada, percebes? Guitarras, carregadores de isqueiro e automóveis. Coisas. Armazéns de coisas. Dentro dos armazéns vemos coisas que fazem coisas. A natureza cria o Homem, o Homem cria as máquinas. As máquinas criam máquinas que criam máquinas. Que absurdo. Distúrbios. Paranóia. Desgastes. Cansaço. Violência doméstica. O Homem não se entende com a Mulher. Álcool. Vinho, licores, cerveja. Pedofilia. Divórcios. Crianças. Pai, mãe, colégios e orfanatos. Segurança social. Juízos de valor. Bens repartidos. Bens mal repartidos. Sexo. Sexo nos bordéis para quem perdeu a mulher. Traição? Não. Necessidade de carne. Pecado. Missa. Ressurreição. Fé. Catequese. Crianças e catequistas. Confessionário. Concessionário e carro novo. Imigrante. Racismo e xenofobia. Pretos com a mania da perseguição. Eles sofrem perseguição. SEF. Serviços de Estrangeiros e Fronteiras. O mundo está em decadência. Ele está a criar um esconderijo para si próprio, para quando tudo acabar. Quando o mundo acabar, ele vai-se safar. Vai desaparecer para dentro de si próprio. As máquinas. As máquinas vão acabar. Os humanóides autodestruir-se, e ao que resta. Restará fumo, fogo e deserto. A água será engolida pela sede de vingança do mundo. O mundo extinguir-se-á.