segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Eu Tenho...

Eu tenho!
Eu tenho medo das pessoas.
Tenho medo de abrir a boca e não saber o que dizer.

Eu tenho!
Tenho medo de mim próprio.
Eu tenho medo da minha acção e da minha reacção.

Tenho medo de ficar sem reacção.
Tenho medo de reagir.

Eu quero não ter que saber tudo.
Eu quero!

Não quero mais saber que 5+2=7.
Não quero!

Não quero ser maior de idade!

Eu tenho!
Tenho medo que me julguem.
Que me toquem...
Que me desafinem...
Que me desatinem.

Tenho medo de saber escrever e,
Ao mesmo tempo,
Tenho medo de deixar de escrever.

Eu quero!
Eu quero viver.
Acredita...
Eu quero fazer acontecer.

Quero deixar de saber que nada sei.
Quero voar sem precisar que vejam minhas asas.

Quero viver...
Quero morrer, um dia...
Terá que ser!

Antes de morrer...
Quero viajar.
Quero conhecer, descobrir...
Quero cobrir.
Quero cobrar.
Quero dar... e receber.

Mas eu tenho...

Medo de confiar.
Medo da minha existência.
Medo de ser artista.
Medo de refutar.
De sair da zona de conforto!
De entrar na zona de confronto...
E arriscar.

De riscar o papel pálido de frio.
De me apaixonar...
Apenas por cio.

Quero fazer amor.
Quero ficar por cima dela,
E de manhã, cedo, servir-lhe café.

E no amor quero ver cor.
Cor de café.
Como aquele vapor ascendente,
Quero ter fé.

Quero, desta vez, que a chuva caia...
Oblíqua.
Que te molhe os seios em silhueta.

Quero que as minhas palavras sejam mais que mil imagens.

Quero não ter vergonha de gritar no meio da rua,
Para testar a minha inexistência.

Quero gritar.

Eu vou gritar!

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Tenho medo do que possam pensar de mim...
Mas, já vou tarde.
Porque existo!

Resta-me corrigir esta tensão.
Esta tesão.
Ser artesão.

Quero uma biblioteca.
Uma vídeo-teca e uma audio-teca .

Quero deixar de querer.
De querer ter e de querer ser.
Quero desistir de existir.
Repito...
Quero ruir!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CHOVE


25.SET.2012

Lá fora chove.
Cá dentro – sala de ensaios – cozinha-se.
Trabalho de actor.
Sala gélida, condições mínimas.
Luz do dia escassa, mas aproveitada, para poupar
Nos gastos da electricidade.

Os actores, no calor da cena, mentem,
Interpretando personagens realistas.
Naturalismo ao rubro.
Alguém saberá – lá fora – que cá dentro
Estamos a cozinhar coisas novas?
Hão-de saber em breve.
Havemos de ter sala cheia?
Preenchida, e não vazia?

Tenho frio.
Preciso do calor da cena.
Cá dentro chovem pingos, vindos do piso superior.

O Outono veio e trouxe consigo
Um Inverno que ainda está para vir.
Virá zangado o Inverno que vem.
Sente-se no prenúncio outonal.

Anseio, desesperadamente, por ver a coloração
Das folhas num dia de sol.
As folhas vão cair, brevemente.
Há folhas no chão já.

Tenho fome.
Diz o meu estômago, queixando-se,
Numa onomatopeia estranha.
O meu estômago, vazio, tem as cores
Das folhas do Outono.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AMOR LUNÁTICO


04.OCT.2012
04:30H

Eu já sabia, mas só agora percebi
Que não gosto de todas as fases da lua.
O meu amor é a lua-cheia.
As outras são quase-ela, mas não a são.

A vida é feita de desencontros
Antes e depois de encontros.
Percebo que o que agora é belo
E coincidente, daqui a pouco ou amanhã
Não o é.

Simplesmente, os afagos vêm e vão.

Este equilíbrio que tanto se anseia…
É, afinal, um desequilíbrio.

Anseio um Apocalipse de amor…
Que brote aqui e ali
Como se fora uma rosa a desabrochar.

É tão indefinida a minha definição de vida.
Anseio, no entanto, essa indefinição,
De forma inconsciente e omnisciente .

É este quase-eu que escrevo sempre,
E que escreve quase – como se fosse – eu.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

QUANDO TE OLHO




Quando te olho
Caem-me lágrimas dos olhos,
Lágrimas com vertigem decadente.

Caem-me pela desilusão que de mim tens,
Caem-me porque basta-me um olhar.

É ser-se humano se se chora,
Sou um ser humano que chora.

Dou primazia aos versos,
Sem sentido,
Explicam-te o choro inaudível.

Quando te olho
Observo-te.

Mas acima de tudo
Vejo-te.

Não sou sábio.

Sei coisas.

Meras Palavras,
Mas palavras.

[12JULHO2012]

quinta-feira, 5 de julho de 2012

THE BUTTERFLY EFFECT


THE BUTTERFLY EFFECT


Não há maneira de voltar “lá atrás”.
Mudar o que foi feito é complicado.
Podemos é, agora, evitar fazer algo
Que não se repercuta no futuro…
É muito arriscado ousar voltar para
Mudar o que quer que seja. É tarde
Demais. Mas nunca será tarde para se
Viver o presente, torcendo pelo futuro.

[ZÉNON]

Se eu voltasse atrás, a nossa história
Seria, sem dúvida, prioritária nessa
Mudança. Podia ter sido eu a morrer…
Mas não fui… por alguma razão.
Podias ter fugido sem mim… Mas não…
Quiseste proteger-me.
Podíamos ter levado porrada…
Ao menos estarias vivo… comigo.
Por outro lado, eu não estaria em Portugal,
Provavelmente. Seríamos dois miúdos
Com estudos? Ou gaiatos das ruas, traquinas,
Ladrões e drogados? De qualquer modo…
Que importa? A única pessoa que me
Poderia compreender serias tu!
Mas morreste-me… Amo-te e…
Até um dia!

[15JUNHO2012]

quarta-feira, 4 de julho de 2012

VIDA INCONGRUENTE


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Começam a cair pingos. Um deles vem com demasiada euforia pensando que é livre. Mas quando cá em baixo chega, esborracha-se todo. Se se sobe na vida, também se desce. Se se não sabe descer, cai-se. Muitos caem. Garrafas de água dentro dos autocolismos. Que estupidez. Histórias de adultos contadas a criancinhas indefesas. Prostituição. Raptos. Tráficos de órgãos. Mas onde é que nós estamos? O sino do mosteiro voltou a tocar. Mais uma morte. Mais uma vida no céu. Ou até, quem sabe, no inferno. Alguém trincou uma maçã. Ouviste? Quem ouviu? Não ouviste? Eu ouvi. A traição da humanidade surge. O Homem é enganado pela mulher. A mulher é seduzida pelo animal que se contorce. Sete. Sete orifícios no rosto humano. Na melodia da vida, sete notas musicais. Sete cores, sete dias da semana, sete virtudes e sete pecados capitais. A lei da evolução. Avareza, inveja, luxúria, ira, gula, vaidade e preguiça. Simbologia simbólica de ti , de mim e de nós. Eu, tu e nós somos dois ou três? Que estupidez. É a teoria do fim do mundo. O artista sobe ao palco e transmite às pessoas a catarse. O silêncio é comunicação. Interpretação do silêncio. O silêncio também se interpreta. Tempestades em copos de água. Copos sem água e ração para comer. África. África, Ásia, Europa, América, Antárctida e Oceânia. Mundo. Mundo, gente, pessoas, indivíduos, adultos, crianças e anciãos. Como é que um planeta cheio de água tem sede? Ordem. Ordem e progresso precisa-se. Nostradamus. Esperança. País do verde. Do verde , do vermelho, do amarelo e das quinas. Colonialismo, escravatura e exploração. Conquista. Passado. Presente de ontem, de hoje e de amanhã. Comunicação. Dificuldade de comunicação. Detorpação no feedback. Argumento e contra-argumento. Desentendimento. Morte. Por vezes, tiro pela colatra. Teatro. Actores precisam-se. Alguém grita na infinidade dos guetos-Chamem os políticos-. República das bananas. Crise mundial. Eutanásia. Aborto. Mais uma vida na Terra. Mais uma morte no ar. A cegonha morreu no regresso. Ginástica mental. Conhecimento histórico, artístico e cultural. A arte. Música, pintura, escultura, desenho, retrato, fotografia, olhar, ver, entender, cuspir, sobreviver. Sobrevivência. Boatos. Trabalho de equipa. Grupos de amigos. Bebidas. Drogas. O tom com que as coisas nos são ditas. Mais uma vez a interpretação. Cai a música no ouvido do ouvinte. Banalização da palavra banal, banalidade e banalização. Bananas para os macacos e amendoins para os chipanzés. E os elefantes? Basta-lhes a memória. Robots, máquinas, computadores e cartões. Fusão do Homem com máquinas. Mais força. Mais rapidez, mais armas e tecnologias, tudo inserido no cérebro através de um cartão de memória. Lavagens cerebrais e seres programados para matar nas guerras. Seres? Crianças. A humanidade mata-se. Suicídio ou homicídio? Ambos. Arrefecimento das veias. Sangue coagulado. Cinema, acção, drama, comédia. Vida. Jogo. Dados com seis e oito faces lançados à sua sorte. Isso tudo só pra vermos morte. Crenças e descrenças. O mundo é assim. Máquinas descartáveis. Panoramas complexos. Abstracto. A minha escrita. Consegues perceber? Eu quero que tu percebas, para não dizeres que eu não percebo nada de nada, percebes? Guitarras, carregadores de isqueiro e automóveis. Coisas. Armazéns de coisas. Dentro dos armazéns vemos coisas que fazem coisas. A natureza cria o Homem, o Homem cria as máquinas. As máquinas criam máquinas que criam máquinas. Que absurdo. Distúrbios. Paranóia. Desgastes. Cansaço. Violência doméstica. O Homem não se entende com a Mulher. Álcool. Vinho, licores, cerveja. Pedofilia. Divórcios. Crianças. Pai, mãe, colégios e orfanatos. Segurança social. Juízos de valor. Bens repartidos. Bens mal repartidos. Sexo. Sexo nos bordéis para quem perdeu a mulher. Traição? Não. Necessidade de carne. Pecado. Missa. Ressurreição. Fé. Catequese. Crianças e catequistas. Confessionário. Concessionário e carro novo. Imigrante. Racismo e xenofobia. Pretos com a mania da perseguição. Eles sofrem perseguição. SEF. Serviços de Estrangeiros e Fronteiras. O mundo está em decadência. Ele está a criar um esconderijo para si próprio, para quando tudo acabar. Quando o mundo acabar, ele vai-se safar. Vai desaparecer para dentro de si próprio. As máquinas. As máquinas vão acabar. Os humanóides autodestruir-se, e ao que resta. Restará fumo, fogo e deserto. A água será engolida pela sede de vingança do mundo. O mundo extinguir-se-á.

terça-feira, 26 de junho de 2012

FODA-SE


FODA-SE

Fodam-se os críticos
Foda-se a puta que os pariu
Fodam-se os políticos
Juntamente com o pintinho piu

Foda-se a hipocrisia
Fodam-se esse corvos
Fodam toda a sangria
Unámo-nos povos

Foda-se a puta da vida
Foda-se a puta da morte
Foda-se a tua partida
Vai, desejo-te sorte

Foda-se a ignorância
Foda-se o seu ignorante
Foda-se a inteligência
E todo o ser pensante

Foda-se a ironia
Foda-se o sarcasmo
Foda-se a alegria
Foda-se o poema que te faz ficar pasmo

Foda-se o tempo
Foda-se a multidão
Foda-se o contratempo
E a merda da canção

(…)

16JUNHO2012

quarta-feira, 30 de maio de 2012

AVENTURA


...Embarcar numa aventura, pela decisão do lançamento de um dado.
Deixar o futuro em aberto,
Não pensar no que é certo.
Saber da existência da sorte que possuo,
Destinado a existir está um mundo que construo,
E suo; Sangue - Lágrimas - Suor
Até conhecer os meus passos decor.
Salteando pelas bermas da incerteza e da infelicidade,
Repito palavras caras como: PROMISCUIDADE.

É a idade que nos ensina a ser novos,
é ela que nos ensina a construir povos!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mixar Caminhos, de Ismael Calliano



Em 2009 atrevi-me a escrever um texto para uma curta... eis o resultado final.
Neste momento já me encontro como actor profissional e, nada melhor do que estas lembranças para recordar tempos árduos, que recentes pessoas desconhecem...
Tempos difíceis... Grandes amigos... Tempos em que percebi que não estava só.

Espero lograr encontrar algo que me preencha nesta vida... Tenho tudo, estou melhor que muitos, mas não me sinto preenchido!

Se não for o teatro não vejo outra solução... porra!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sabedoria deste amor


Saber(es)

Saber saberes sabidos por sábios
Bem sabes que isso não sei eu saber.
Sei saber, e bem sabido, confirmo
Saborear os teus lábios
De diferentes sabores jamais saboreados.
Sabem saber os teus lábios
(Sapiência incrível)
Que línguas linguarudas atacam
Atracam
Na berma dos lábios lambidos por mim
Lambidelas jamais dadas
Por outros lambedores
Sejam eles lavradores
Que lavram o vale dos lábios
Sejam eles lavrantes
Extravagantes
Que cultivam cultura culta
Ou, talvez, eles mesmo
Sejam os sábios que bem sabem saber
Sapiências destas
Bom...
Saber bem sabido não sei
Mas sei que não sei o que saber é.
Sabes tu dizer-me como se diz
Em correcta dicção
Dita directamente por ti
Que ditadores ditaram com semente de paixão
Sem darem com a cara do povo no chão?
Não?
Paciência
Sapiência não se encontra em qualquer um
Mas para seres sábia
Basta saberes:
Sei que sabes que te sei saber amar!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

AMOR PRIMAVERIL


Amor

Eu?
Eu escrevo versos
Na madrugada
Tu…
Meu amor
Estarás, neste momento,
Acordada?

Não amor
Não me peças
Que escreva sem dor
Verdades dessas
Que guardas com rancor
E não confessas
Que mentes por amor
Promessas

Mentes promessas
De cores diversas
Da cor da mentira
E de quem mente
De quem isto lê
E isto sente.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Actor

O Actor (com c)

E o actor é constante
Vítima de si próprio
Mesmo sem experimentar
Qualquer ópio
Por vezes, não se encontra
Sóbrio
Tem uma letra esquisita
Mas de aparência bonita
Que parece não contemplar
Esta “dolce vita”
Esquisita
E o seu pensamento?
É estupendo esse
Consegue a determinado momento
Fingir
Como se adormecesse
Nesse
Acolchoado fumo branco
Que lhe interfere na
Massa cinzenta
Compreensão lenta
E argumenta
A oito e oitenta
Sem riscar na sebenta
Sedenta
Escrita que o encarcera
De forma apertada como se
Outrora ele merecera
Ou talvez não
Apenas apertar
Com inexistência de razão
Por ser sua sede
Levada à escravidão
Interpreta
De maneira predilecta
Afastando o cliché
E o amor da vida real
Que sente por você
Animal irracional
Capaz de empapelar-se
Em personagem abismal
Sem ousar Calar-se!
(…)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pela poesia


As Palavras (Parte II)

As palavras são indiscutivelmente
Universo desconhecido que conheço.
Por isso, tenho as minhas bem alcatroadas
Como se faz às estradas, selvagens e
Desconhecidas, para as domesticar,
Conhecê-las e logo poder andar
Por cima delas
Com superfície regular, sem ondulações
E desníveis (de estradas selvagens)

As palavras escritas por mim
São o meu ego em formato de diamante,
Preciosidade que não é gasta no confronto
Com qualquer Ser Humano.
Ego, este, de cor fluorescente
E coração adolescente.

Quando escrevinho no papel
Sinto brechas, por entre as minhas
Impressões digitais
Sinto um brotar de encarnado
Que me faz escrever a preto,
Preto no branco.
Então as palavras fazem-me olhar
Em meu torno
E reparar que estou rodeado de eucaliptos.
Palavras tontas

Deixem-me ver as oliveiras
E as copas das árvores verdes
Num sítio praticamente deserto.
Não consigo adormecer, porra!
(Auto-carros estúpidos).

A inteligência não está naquilo que digo,
Escrevo ou faço
Mas naquilo que os outros me ouvem dizer,
Escrever e fazer.
É essa a dependência de termos sempre
Alguém para nos catalogar.
Logo, aos olhos da sociedade,
Aquele que não exprime inteligência
Não é considerado inteligente
Até o provar.

Eu não sou inteligente.
Escrevo letras.
São poucas as pessoas que em mim vêem
Inteligência.
O que serão essas pessoas?
Possuidores de inteligência,
Ou desprovidos dela?
Mantenho os meus caracteres
Em constante apneia
Não os ouves?

Tenho em minha posse dois egos.
O meu coração e o meu cérebro.
- Vou liquidar-vos!
Existe, por acaso, um fio condutor
Na puta desta vida?
E o suor que se me escorre pela testa?
É do fusível queimado no meu cérebro,
Ou do dispêndio de energia física
Que exerço?

(...)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Apenas


Vem

Vem…
Vou dizer-te ao ouvido, sem sentido,
Palavras!
Sei que não sabes que te amo,
Sei que amas o teu amor
Que eu não sou.
E se preferes ser feliz
Fica feliz
Que comigo só trago infelicidades
Mas sorrio, contudo e com tudo.
Fascinam-me as nossas
Diferentes idades
Queres vir comigo…?
Queres…?
Esqueço este país
Esqueço estas cidades.
Diz que me amas…!
Diz!
Não, não digas!

(...)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

PALAVRAS


As Palavras (Parte I)

As palavras são um universo
Desconhecido que conheço
Um pensamento submerso
Num verso em que adormeço

As palavras que eu escrevo
São o meu ego em forma de esmeralda
Têm cor fluorescente
Com sabor do fruto em calda

São tontas raparigas
De coração adolescente
São remoinhos delas próprias
O que me faz sentir diferente

Escrevo as letras por amor
Para não mais sentir dor
Escrevo palavras nos olhos
Coço as lágrimas com ardor


(...)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As Formigas


45 F0rm1g45

    
As formigas perseguem-me.
Não sei como fugir.
Talvez nem deva fugir.
Mas, que farei?
Ficarei para combatê-las?
Quantas mais mato, mais aparecem.
Parece que quando mato uma, ressuscita a duplicar.
Já matei duzentas.
Serei um assassino?
Não. Não posso pensar assim.
Pensarei apenas que sou um pobre exilado, que quando aparece alguém para me repreender, dou-lhe logo cabo do canastro.
Hei! Será que tenho mel?
Sim, eu sei, elas não são abelhas.
Mas também gostam de coisas doces, essa é que é ela, elas devoram coisas doces.
Eu sei que é verdade.
Juro.
Elas.
As formigas.
São tão bonitas
Mas porque diabos me perseguem elas?
Ah, já sei!
Por serem bonitas pensam que eu não sei, ou não sou capaz de pensar, o que eu acho que elas pensam.
Ha ha ha ha ha.
Estão muito enganadas, elas.
Eu sei o que elas pensam.
Pensam em arrasar a minha vida.
Querem me matar à fome.
Nãooooooooooo!!!
Não me vão roubar os doces, eu não deixarei!
Eu quero-os só para mim!
Por outro lado, visto que também são humanas, como eu, sou capaz de conciliar os dois pensamentos.
O meu, e o delas.
Vou mantê-los em sintonia coerente.
Mas para isso
Terei de deixar de ser doce
Uma doce pessoa.