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As formigas
perseguem-me.
Não sei como fugir.
Talvez nem deva
fugir.
Mas, que farei?
Ficarei para combatê-las?
Quantas mais mato,
mais aparecem.
Parece que quando
mato uma, ressuscita a duplicar.
Já matei duzentas.
Serei um assassino?
Não. Não posso pensar
assim.
Pensarei apenas que
sou um pobre exilado, que quando aparece alguém para me
repreender, dou-lhe logo cabo do canastro.
Hei! Será que tenho mel?
Sim, eu sei, elas não são abelhas.
Mas também gostam de coisas doces, essa é que é ela, elas devoram
coisas doces.
Eu sei que é verdade.
Juro.
Elas.
As formigas.
São tão bonitas…
Mas porque diabos
me perseguem elas?
Ah, já sei!
Por serem bonitas
pensam que eu não sei, ou não sou capaz de
pensar, o que eu acho que elas pensam.
Ha ha ha ha ha.
Estão muito enganadas, elas.
Eu sei o que elas
pensam.
Pensam em arrasar a
minha vida.
Querem me matar à fome.
Nãooooooooooo!!!
Não me vão roubar os doces,
eu não deixarei!
Eu quero-os só para mim!
Por outro lado,
visto que também são humanas, como eu,
sou capaz de conciliar os dois pensamentos.
O meu, e o delas.
Vou mantê-los em sintonia coerente.
Mas para isso…
Terei de deixar de
ser doce…
Uma doce pessoa.
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