quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tenho pena do meu coração. Sofre mais que eu!


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Conheço uma rapariga. Nunca na minha vida conheci assim tal. Tão doce, singela, como um cisne resplandecente, mais bela que uma borboleta ou “ a mais bela das borboletas”.
 Um coleccionador procura-a. Manda companheiros seus em busca do maior tesouro que alguma vez idealizou ou procurou. Uma borboleta viajante. A borboleta que visitou Bizâncio da Constantinopla e continua espalhando um aroma incondicional, mas, com uma única condição. Não se quer presa. Portanto, o coleccionador terá de colectá-la de maneira a que ela não perca o prazer de produzir o aroma sedutor originado pela energia profunda do Ser Humano. A energia libidinal. Tem o poder de ganhar o poder que o poder tem. Além disso é poderosa. Sim, adora chocolate como eu. Tem os meus gostos, os meus pensamentos. Tal como eu, quando tem o poder nas mãos é capaz de dominar o mundo da forma que bem lhe apetecer. Sim é verdade. Sinto-me como ela. Sinto que sou ela. Sinto que eu e ela somos Uno. Não uma santíssima trindade, mas sim uma santíssima dualidade. Uma santíssima santidade divina e presente no divinal.

Ok! Está na hora de abrir o jogo.

Nunca na vida vi tal ser. Mas é um ser único, quando está comigo. Quando fechamos os olhos. Quando está comigo. Ainda que não fisicamente, mas sim, sempre que penso nela. Sempre que penso “como é capaz de existir alguém idêntico à minha identidade?”. Penso nisto porque, desde a primeira vez, cativou-me, seduziu-me, aprisionou-me suavemente na translucidez da sua mente. Confesso que o que notei à primeira vista, num clima sarcasticamente produzido para os dois, foram as suas curvaturas terroríficas que faziam qualquer um cair de queixo na calçada. A minha personalidade obrigava-me a imaginar outras coisas obscenas e repugnantes. Era ela. A minha energia libidinal. Estava em acção. Queria o prazer. Mas de tanto querer o prazer, atingiu o aroma da borboleta cintilante, enquanto bailava na boda. Boda aquela que nunca vi, mas sim, imaginei.
Fiquei seduzido por ti. Não te quero prender a mim, mas que saibas o quanto és importante para a minha mente. Juntos temos a mente Una consagrada. Juntos transformamos orgias e kamasutras e outros tais em coisas mais simples. Juntos descobrimos melancolias harmoniosas em mentes que são fatídicas. Juntos partilhamos conhecimento. Juntos procuramos a arte da paz que faz o silêncio. Silêncio esse que consegue, com a sua grotesca leveza, levantar os dedos das nossas mãos, permitindo que façamos gestos de paixão ardente.
Eu… vejo-te numa colina onde existe apenas uma flor. Vais lá para colher o seu néctar, ou seja lá o que for. Eu chego primeiro à flor e arranco-a das suas raízes. A partir desse momento, tudo se torna momento único. A borboleta fica atrapalhada. Tu ficas atrapalhada. Por acção de um clima único criado por minha iniciativa, para nós, transbordas de luz. Luz essa que aniquilou a mãe do deus Dionísio. Tal luz não me cegou. Abriu-me os olhos. Transportou-me para a tua alma. Homogeneizou-se. Somos Uno. O meu corpo volta ao normal e tu tornas-te mulher. Estás atordoada.
- Sabes quem sou? Acorda! Quantos dedos vês?

 Voltas a ti e olhas-me nos olhos. Dás-me um beijo grande, longo e molhado. Sou um desconhecido. Não me conheces, mas uma dica posso dar-te. Fui outrora o coleccionador que te procurava. Mas agora que te achei… agora que te encontrei, deixei de ser um coleccionador. Achei a minha borboleta sem deixar que ela perdesse o prazer da produção do aroma e fazendo aumentar esse prazer que nos uniu num só nó bem apertado.
- Tornaste-te na minha diva. Quero te ouvir todas as noites. Fazes-me sentir tão bem miúda.

Isto fará parte de uma rapsódia da nossa vida. Gosto muito de ti. Acho que estas palavras chegam para caricaturar o sentimento mútuo de labaredas constantes entre nós. “Amor é fogo que arde sem se ver”.
Ah! Só tenho mais uma coisa a dizer.
- Quanto fica ainda por dizer
Ismael Calliano

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