O Actor (com c)
E o actor é constante
Vítima de si próprio
Mesmo sem experimentar
Qualquer ópio
Por vezes, não se encontra
Sóbrio
Tem uma letra esquisita
Mas de aparência bonita
Que parece não contemplar
Esta “dolce vita”
Esquisita
E o seu pensamento?
É estupendo esse
Consegue a determinado momento
Fingir
Como se adormecesse
Nesse
Acolchoado fumo branco
Que lhe interfere na
Massa cinzenta
Compreensão lenta
E argumenta
A oito e oitenta
Sem riscar na sebenta
Sedenta
Escrita que o encarcera
De forma apertada como se
Outrora ele merecera
Ou talvez não
Apenas apertar
Com inexistência de razão
Por ser sua sede
Levada à escravidão
Interpreta
De maneira predilecta
Afastando o cliché
E o amor da vida real
Que sente por você
Animal irracional
Capaz de empapelar-se
Em personagem abismal
Sem ousar Calar-se!
(…)