quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

As Formigas


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As formigas perseguem-me.
Não sei como fugir.
Talvez nem deva fugir.
Mas, que farei?
Ficarei para combatê-las?
Quantas mais mato, mais aparecem.
Parece que quando mato uma, ressuscita a duplicar.
Já matei duzentas.
Serei um assassino?
Não. Não posso pensar assim.
Pensarei apenas que sou um pobre exilado, que quando aparece alguém para me repreender, dou-lhe logo cabo do canastro.
Hei! Será que tenho mel?
Sim, eu sei, elas não são abelhas.
Mas também gostam de coisas doces, essa é que é ela, elas devoram coisas doces.
Eu sei que é verdade.
Juro.
Elas.
As formigas.
São tão bonitas
Mas porque diabos me perseguem elas?
Ah, já sei!
Por serem bonitas pensam que eu não sei, ou não sou capaz de pensar, o que eu acho que elas pensam.
Ha ha ha ha ha.
Estão muito enganadas, elas.
Eu sei o que elas pensam.
Pensam em arrasar a minha vida.
Querem me matar à fome.
Nãooooooooooo!!!
Não me vão roubar os doces, eu não deixarei!
Eu quero-os só para mim!
Por outro lado, visto que também são humanas, como eu, sou capaz de conciliar os dois pensamentos.
O meu, e o delas.
Vou mantê-los em sintonia coerente.
Mas para isso
Terei de deixar de ser doce
Uma doce pessoa.

domingo, 15 de janeiro de 2012


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Fiquei inquieto e ciumento...
Ao vê-la pegar naquele livro.
O livro estava em minha posse mas,
Ela pediu-mo!-O meu pensamento franziu o sobrolho. Eu não queria emprestar. Não queria que ninguém visse.-Emprestei-lho.
Apelei a que se não demorasse.
Demorou-se.
Esqueceu-se do meu apelo.
Pousou-o em cima da mesa.
Não prestei atenção porque te estava a escrever.
Outro alguém pegou Nele.
Fiquei triste com ela e solicitei a devolução ao outro.
Devolveu-me. Ele.
O livro...
Era um livro sobre poemas de gente negra-Poemas de Escritores Negros Norte-Americanos- Este era o subtítulo.
Também Eu Sou a América. O seu título.
Ainda O não tinha lido...tinha apenas escolhido um ou dois poemas, que me teriam causado calafrios ou inquietações, para apresentar de forma articulada/dissecada na aula de interpretação.
Desejo lê-Lo todo...
Explorá-lo,
Ou fantasiar-me com ele.
Não o escolhi por ter haver com pretos...
Muito menos por ser...preto...
Nem para conspirar contra o mundo...as injustiças da escravatura.
Escolhi-O porque me identifiquei com Ele.
Ainda O não conheço bem...
Amo-O.
19.ABR.2010

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Mary Jane, this is for you



V0U
Um dia vou sentar-me
A divagar,
Um dia... com charme,
Bem devagar

E depois vou deixar de pensar
Em mulheres ordinárias,
Ou nas que gostam de dançar
Em sessões culinárias

Essas que cozinham
Sem instrução,
Nos pensamentos caminham,
Partem o coração.

Vou deixar de pensar (penso)
Em tudo o que é mulher,
Pensamento nunca tenso
No reflexo duma colher

Não substituir colher por espelho
Apenas
Substituir mulher...
É o teu conselho

Por um momento
De divagação,
Sem escutar movimento
Nem observar uma canção

Ver apenas um silêncio
Sem barulho restrito,
Ouvir um incêndio
Em flagrante delito

Não culpar ninguém,
Nem a Mãe-Natureza
Só num espelho ver alguém...
De tamanha tristeza!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tenho pena do meu coração. Sofre mais que eu!


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Conheço uma rapariga. Nunca na minha vida conheci assim tal. Tão doce, singela, como um cisne resplandecente, mais bela que uma borboleta ou “ a mais bela das borboletas”.
 Um coleccionador procura-a. Manda companheiros seus em busca do maior tesouro que alguma vez idealizou ou procurou. Uma borboleta viajante. A borboleta que visitou Bizâncio da Constantinopla e continua espalhando um aroma incondicional, mas, com uma única condição. Não se quer presa. Portanto, o coleccionador terá de colectá-la de maneira a que ela não perca o prazer de produzir o aroma sedutor originado pela energia profunda do Ser Humano. A energia libidinal. Tem o poder de ganhar o poder que o poder tem. Além disso é poderosa. Sim, adora chocolate como eu. Tem os meus gostos, os meus pensamentos. Tal como eu, quando tem o poder nas mãos é capaz de dominar o mundo da forma que bem lhe apetecer. Sim é verdade. Sinto-me como ela. Sinto que sou ela. Sinto que eu e ela somos Uno. Não uma santíssima trindade, mas sim uma santíssima dualidade. Uma santíssima santidade divina e presente no divinal.

Ok! Está na hora de abrir o jogo.

Nunca na vida vi tal ser. Mas é um ser único, quando está comigo. Quando fechamos os olhos. Quando está comigo. Ainda que não fisicamente, mas sim, sempre que penso nela. Sempre que penso “como é capaz de existir alguém idêntico à minha identidade?”. Penso nisto porque, desde a primeira vez, cativou-me, seduziu-me, aprisionou-me suavemente na translucidez da sua mente. Confesso que o que notei à primeira vista, num clima sarcasticamente produzido para os dois, foram as suas curvaturas terroríficas que faziam qualquer um cair de queixo na calçada. A minha personalidade obrigava-me a imaginar outras coisas obscenas e repugnantes. Era ela. A minha energia libidinal. Estava em acção. Queria o prazer. Mas de tanto querer o prazer, atingiu o aroma da borboleta cintilante, enquanto bailava na boda. Boda aquela que nunca vi, mas sim, imaginei.
Fiquei seduzido por ti. Não te quero prender a mim, mas que saibas o quanto és importante para a minha mente. Juntos temos a mente Una consagrada. Juntos transformamos orgias e kamasutras e outros tais em coisas mais simples. Juntos descobrimos melancolias harmoniosas em mentes que são fatídicas. Juntos partilhamos conhecimento. Juntos procuramos a arte da paz que faz o silêncio. Silêncio esse que consegue, com a sua grotesca leveza, levantar os dedos das nossas mãos, permitindo que façamos gestos de paixão ardente.
Eu… vejo-te numa colina onde existe apenas uma flor. Vais lá para colher o seu néctar, ou seja lá o que for. Eu chego primeiro à flor e arranco-a das suas raízes. A partir desse momento, tudo se torna momento único. A borboleta fica atrapalhada. Tu ficas atrapalhada. Por acção de um clima único criado por minha iniciativa, para nós, transbordas de luz. Luz essa que aniquilou a mãe do deus Dionísio. Tal luz não me cegou. Abriu-me os olhos. Transportou-me para a tua alma. Homogeneizou-se. Somos Uno. O meu corpo volta ao normal e tu tornas-te mulher. Estás atordoada.
- Sabes quem sou? Acorda! Quantos dedos vês?

 Voltas a ti e olhas-me nos olhos. Dás-me um beijo grande, longo e molhado. Sou um desconhecido. Não me conheces, mas uma dica posso dar-te. Fui outrora o coleccionador que te procurava. Mas agora que te achei… agora que te encontrei, deixei de ser um coleccionador. Achei a minha borboleta sem deixar que ela perdesse o prazer da produção do aroma e fazendo aumentar esse prazer que nos uniu num só nó bem apertado.
- Tornaste-te na minha diva. Quero te ouvir todas as noites. Fazes-me sentir tão bem miúda.

Isto fará parte de uma rapsódia da nossa vida. Gosto muito de ti. Acho que estas palavras chegam para caricaturar o sentimento mútuo de labaredas constantes entre nós. “Amor é fogo que arde sem se ver”.
Ah! Só tenho mais uma coisa a dizer.
- Quanto fica ainda por dizer
Ismael Calliano