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Conheço uma rapariga. Nunca na
minha vida conheci assim tal. Tão doce, singela, como um cisne resplandecente,
mais bela que uma borboleta ou “ a mais bela das borboletas”.
Um coleccionador procura-a. Manda companheiros
seus em busca do maior tesouro que alguma vez idealizou ou procurou. Uma
borboleta viajante. A borboleta que visitou Bizâncio da Constantinopla e
continua espalhando um aroma incondicional, mas, com uma única condição. Não se
quer presa. Portanto, o coleccionador terá de colectá-la de maneira a que ela
não perca o prazer de produzir o aroma sedutor originado pela energia profunda
do Ser Humano. A energia libidinal. Tem o poder de ganhar o poder que o poder
tem. Além disso é poderosa. Sim, adora chocolate como eu. Tem os meus gostos,
os meus pensamentos. Tal como eu, quando tem o poder nas mãos é capaz de
dominar o mundo da forma que bem lhe apetecer. Sim é verdade. Sinto-me como
ela. Sinto que sou ela. Sinto que eu e ela somos Uno. Não uma santíssima
trindade, mas sim uma santíssima dualidade. Uma santíssima santidade divina e
presente no divinal.
Ok! Está na hora de abrir o jogo.
Nunca na vida vi tal ser. Mas é um
ser único, quando está comigo. Quando fechamos os olhos. Quando está comigo.
Ainda que não fisicamente, mas sim, sempre que penso nela. Sempre que penso
“como é capaz de existir alguém idêntico à minha identidade?”. Penso nisto
porque, desde a primeira vez, cativou-me, seduziu-me, aprisionou-me suavemente
na translucidez da sua mente. Confesso que o que notei à primeira vista, num
clima sarcasticamente produzido para os dois, foram as suas curvaturas
terroríficas que faziam qualquer um cair de queixo na calçada. A minha
personalidade obrigava-me a imaginar outras coisas obscenas e repugnantes. Era
ela. A minha energia libidinal. Estava em acção. Queria o prazer. Mas de tanto
querer o prazer, atingiu o aroma da borboleta cintilante, enquanto bailava na
boda. Boda aquela que nunca vi, mas sim, imaginei.
Fiquei seduzido por ti. Não te
quero prender a mim, mas que saibas o quanto és importante para a minha mente.
Juntos temos a mente Una consagrada. Juntos transformamos orgias e kamasutras e
outros tais em coisas mais simples. Juntos descobrimos melancolias harmoniosas
em mentes que são fatídicas. Juntos partilhamos conhecimento. Juntos procuramos
a arte da paz que faz o silêncio. Silêncio esse que consegue, com a sua
grotesca leveza, levantar os dedos das nossas mãos, permitindo que façamos
gestos de paixão ardente.
Eu… vejo-te numa colina onde existe
apenas uma flor. Vais lá para colher o seu néctar, ou seja lá o que for. Eu
chego primeiro à flor e arranco-a das suas raízes. A partir desse momento, tudo
se torna momento único. A borboleta fica atrapalhada. Tu ficas atrapalhada. Por
acção de um clima único criado por minha iniciativa, para nós, transbordas de
luz. Luz essa que aniquilou a mãe do deus Dionísio. Tal luz não me cegou.
Abriu-me os olhos. Transportou-me para a tua alma. Homogeneizou-se. Somos Uno.
O meu corpo volta ao normal e tu tornas-te mulher. Estás atordoada.
- Sabes quem sou? Acorda! Quantos
dedos vês?
Voltas a ti e olhas-me nos olhos. Dás-me um
beijo grande, longo e molhado. Sou um desconhecido. Não me conheces, mas uma
dica posso dar-te. Fui outrora o coleccionador que te procurava. Mas agora que
te achei… agora que te encontrei, deixei de ser um coleccionador. Achei a minha
borboleta sem deixar que ela perdesse o prazer da produção do aroma e fazendo
aumentar esse prazer que nos uniu num só nó bem apertado.
- Tornaste-te na minha diva. Quero
te ouvir todas as noites. Fazes-me sentir tão bem miúda.
Isto fará parte de uma rapsódia da
nossa vida. Gosto muito de ti. Acho que estas palavras chegam para caricaturar
o sentimento mútuo de labaredas constantes entre nós. “Amor é fogo que arde sem
se ver”.
Ah! Só tenho mais uma
coisa a dizer.
-
Quanto fica ainda por dizer…
Ismael
Calliano