25.SET.2012
Lá fora
chove.
Cá dentro –
sala de ensaios – cozinha-se.
Trabalho de
actor.
Sala gélida,
condições mínimas.
Luz do dia
escassa, mas aproveitada, para poupar
Nos gastos
da electricidade.
Os actores,
no calor da cena, mentem,
Interpretando
personagens realistas.
Naturalismo
ao rubro.
Alguém
saberá – lá fora – que cá dentro
Estamos a
cozinhar coisas novas?
Hão-de saber
em breve.
Havemos de
ter sala cheia?
Preenchida,
e não vazia?
Tenho frio.
Preciso do
calor da cena.
Cá dentro
chovem pingos, vindos do piso superior.
O Outono
veio e trouxe consigo
Um Inverno
que ainda está para vir.
Virá zangado
o Inverno que vem.
Sente-se no
prenúncio outonal.
Anseio,
desesperadamente, por ver a coloração
Das folhas
num dia de sol.
As folhas
vão cair, brevemente.
Há folhas no
chão já.
Tenho fome.
Diz o meu
estômago, queixando-se,
Numa
onomatopeia estranha.
O meu
estômago, vazio, tem as cores
Das folhas
do Outono.
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