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Começam a cair pingos. Um deles vem com demasiada euforia
pensando que é livre. Mas quando cá em baixo chega, esborracha-se todo. Se se
sobe na vida, também se desce. Se se não sabe descer, cai-se. Muitos caem.
Garrafas de água dentro dos autocolismos. Que estupidez. Histórias de adultos
contadas a criancinhas indefesas. Prostituição. Raptos. Tráficos de órgãos. Mas
onde é que nós estamos? O sino do mosteiro voltou a tocar. Mais uma morte. Mais
uma vida no céu. Ou até, quem sabe, no inferno. Alguém trincou uma maçã.
Ouviste? Quem ouviu? Não ouviste? Eu ouvi. A traição da humanidade surge. O
Homem é enganado pela mulher. A mulher é seduzida pelo animal que se contorce.
Sete. Sete orifícios no rosto humano. Na melodia da vida, sete notas musicais.
Sete cores, sete dias da semana, sete virtudes e sete pecados capitais. A lei
da evolução. Avareza, inveja, luxúria, ira, gula, vaidade e preguiça.
Simbologia simbólica de ti , de mim e de nós. Eu, tu e nós somos dois ou três?
Que estupidez. É a teoria do fim do mundo. O artista sobe ao palco e transmite
às pessoas a catarse. O silêncio é comunicação. Interpretação do silêncio. O
silêncio também se interpreta. Tempestades em copos de água. Copos sem água e
ração para comer. África. África, Ásia, Europa, América, Antárctida e Oceânia.
Mundo. Mundo, gente, pessoas, indivíduos, adultos, crianças e anciãos. Como é
que um planeta cheio de água tem sede? Ordem. Ordem e progresso precisa-se.
Nostradamus. Esperança. País do verde. Do verde , do vermelho, do amarelo e das
quinas. Colonialismo, escravatura e exploração. Conquista. Passado. Presente de
ontem, de hoje e de amanhã. Comunicação. Dificuldade de comunicação. Detorpação
no feedback. Argumento e contra-argumento. Desentendimento. Morte. Por vezes,
tiro pela colatra. Teatro. Actores precisam-se. Alguém grita na infinidade dos
guetos-Chamem os políticos-. República das bananas. Crise mundial. Eutanásia.
Aborto. Mais uma vida na Terra. Mais uma morte no ar. A cegonha morreu no
regresso. Ginástica mental. Conhecimento histórico, artístico e cultural. A
arte. Música, pintura, escultura, desenho, retrato, fotografia, olhar, ver,
entender, cuspir, sobreviver. Sobrevivência. Boatos. Trabalho de equipa. Grupos
de amigos. Bebidas. Drogas. O tom com que as coisas nos são ditas. Mais uma vez
a interpretação. Cai a música no ouvido do ouvinte. Banalização da palavra
banal, banalidade e banalização. Bananas para os macacos e amendoins para os
chipanzés. E os elefantes? Basta-lhes a memória. Robots, máquinas, computadores
e cartões. Fusão do Homem com máquinas. Mais força. Mais rapidez, mais armas e
tecnologias, tudo inserido no cérebro através de um cartão de memória. Lavagens
cerebrais e seres programados para matar nas guerras. Seres? Crianças. A
humanidade mata-se. Suicídio ou homicídio? Ambos. Arrefecimento das veias.
Sangue coagulado. Cinema, acção, drama, comédia. Vida. Jogo. Dados com seis e
oito faces lançados à sua sorte. Isso tudo só pra vermos morte. Crenças e
descrenças. O mundo é assim. Máquinas descartáveis. Panoramas complexos.
Abstracto. A minha escrita. Consegues perceber? Eu quero que tu percebas, para
não dizeres que eu não percebo nada de nada, percebes? Guitarras, carregadores
de isqueiro e automóveis. Coisas. Armazéns de coisas. Dentro dos armazéns vemos
coisas que fazem coisas. A natureza cria o Homem, o Homem cria as máquinas. As
máquinas criam máquinas que criam máquinas. Que absurdo. Distúrbios. Paranóia.
Desgastes. Cansaço. Violência doméstica. O Homem não se entende com a Mulher.
Álcool. Vinho, licores, cerveja. Pedofilia. Divórcios. Crianças. Pai, mãe,
colégios e orfanatos. Segurança social. Juízos de valor. Bens repartidos. Bens
mal repartidos. Sexo. Sexo nos bordéis para quem perdeu a mulher. Traição? Não.
Necessidade de carne. Pecado. Missa. Ressurreição. Fé. Catequese. Crianças e
catequistas. Confessionário. Concessionário e carro novo. Imigrante. Racismo e
xenofobia. Pretos com a mania da perseguição. Eles sofrem perseguição. SEF.
Serviços de Estrangeiros e Fronteiras. O mundo está em decadência. Ele está a
criar um esconderijo para si próprio, para quando tudo acabar. Quando o mundo
acabar, ele vai-se safar. Vai desaparecer para dentro de si próprio. As
máquinas. As máquinas vão acabar. Os humanóides autodestruir-se, e ao que
resta. Restará fumo, fogo e deserto. A água será engolida pela sede de vingança
do mundo. O mundo extinguir-se-á.
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