domingo, 4 de abril de 2010

The Game

4 V1D4 3 0 QU3?

Ouvi dizer que a vida é como um jogo. Nos subúrbios do mundo, escondido por entre a podridão do luxo e a riqueza da degradação, podemos encontrar os dados que guiam a vida, com as suas camadas côncavas e negras, e as suas camadas superficiais revestidas de veludo. Nem sempre me acredito no que oiço, porque nem tudo o que oiço é verídico. Mas nas estradas deste jogo podemos considerar que tudo é verosímil. Quando ando nas ruas com o objectivo de chegar a algum sítio, levo “sempre” o meu fantástico aparelho tecnológico fonográfico, o meu MP3, no bolso e headphones nos ouvidos, para poderem orientar o meu ritmo. Eu digo que andar na rua é um verdadeiro jogo. A música começa quando saímos do respectivo início de caminhada. Na rua, as pessoas passam por ti, cruzam os olhares, gostam ou desgostam da tua pessoa, sentem prazer em olhar-te, observar-te e mirar-te e ainda fantasiam contigo. Tudo isso em meros 3, 4 ou 5 segundos. Essas pessoas podem pensar para si próprias- “Era mesmo um borracho como este que eu queria”, ou “Uii, sai pra lá, cheiras mal!”, ou “Tás a olhar pra quem oblá?” e ainda “Se me desses o teu phone number filha” ou ainda muitos outros pensamentos. As pessoas chegam até a amar-te durante 3 segundos. Passado esse tempo que, em câmara lenta, obtemos no jogo da vida, as pessoas já avaliam outras tais. Nós também fazemos o que as outras pessoas fazem. Temos também as nossas fantasias. O “feeling” do jogo é maior nas ruas comerciais das cidades. Vou invocar a rua de Stª. Catarina. Ao passar nessa rua sombria e ofuscada pelo brilho da minha música, pelo brilho dos mendigos e pedintes a cantar e a exercer as suas artes exterminadas pela sociedade da vida, tenho um sentimento único. Sinto-me o Homem-Mecânico. Aquelas pessoas todas com pressa, aqueles vendedores de castanhas à saída do subterrâneo que acolhe o metro, as próprias escadas rolantes, como um sobe-e-desce. E a rua 31 de Janeiro? Uou. Adoro subir aquela descida de carros e subida de eléctricos. Adoro descer aquela subida de pessoas “mistas” nos passeios, acabadas de sair da estação de S. Bento, indo para a Batalha e Sá da Bandeira ou mesmo dos Aliados. E vice-versa. As pessoas querem chegar a horas ao trabalho. As pessoas têm objectivos. A rotina enche as ruas da cidade desde manhã até à noite. Como é bela a imagem suja dessas ruas. As pessoas comunicam que não querem comunicar. Sete vezes vejo isto. Elas são mecânicas. Não ligam a nada, porque ligam a tudo. Se, Eu, passo pelo meio delas e lhes toco, elas reagem. Um processo mecânico que não consigo entender. Este jogo tem regras, sem dúvida, mas garanto que as não possuo todas, no meu intelecto. De repente vejo-me como “o diferente” no meio do movimento caótico. Mas não posso ver-me desse modo, porque esse ver é comum a todos. Serei diferente se pensar que sou igual a todos, porque todos pensam que são diferentes, apesar de realmente o serem. Todos diferentes, todos iguais.

Ismael Calliano

2 comentários:

  1. Todos iguais, semelhanças diferentes.

    A vida para mim é dar e receber só porque sim.

    Beijo*

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  2. A vida é um jogo que tem um destino traçado em que nada acontece por acaso e quando passas por uma dessas pessoas basta um sorriso basta um olhar e muita coisa pode mudar.


    Continua a escrever :)

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